Vale a pena continuar gerenciando sua fazenda pela média de produtividade?

sábado, Março 28, 2020

A tecnologia dedicada ao agronegócio vem evoluindo consistentemente ao longo dos anos, o que tem levado à notáveis saltos de produtividade. Virtuosas foram as contribuições do estudo da fertilidade, da genética e da mecanização e especialmente no Brasil fez com que a produção total de grãos no Brasil crescesse ao redor de 5 vezes enquanto o a área plantada apenas dobrou de tamanho nos últimos 40 anos, conforme mostra os dados da Conab.

Figura 1
Figura 1

Essa evolução, no entanto, provavelmente não deve se repetir nos próximos 40 anos, e diante da contínua crescente demanda por produção de alimentos, existe a real necessidade de adoção de outras formas de gerenciamento da propriedade, motivo pelo qual está ganhando evidência o uso da agricultura de precisão nos últimos anos.

A agricultura de precisão é um conjunto de tecnologias utilizadas para gerenciar a variabilidade da lavoura. Em qualquer propriedade é possível observar visualmente que as lavouras não são homogêneas, fazendo com que ocorra variação de produção por metro quadrado dentro de cada talhão. A análise e entendimento dessa variabilidade até pouco tempo atrás era de difícil execução, uma vez que os processos de coleta e tratamento dos dados eram puramente manuais, demandando tempo excessivo até a tomada de decisão.

Atualmente com o advento das ferramentas de agricultura digital, a agricultura de precisão tornou-se algo de adoção e execução fácil, permitindo que a análise da variabilidade do talhão seja feita de forma automática pelas tecnologias de coleta e análise de dados disponíveis. A imagem abaixo por exemplo mostra a produtividade média de 93,7 sacas por hectare, e em azul os pontos onde a produtividade foi exatamente a média, ou seja, 1,03% da área.

 

Mapa de colheita mostrando o percentual de pontos que produziram exatamente a média (1,03% da área)

Figura 2
Figura 2

Embora esse caso pareça absurdo, é a realidade da nossa região. Uma pequena porção do talhão produz exatamente a média, motivo pelo qual faz-se necessário uma nova abordagem no manejo da lavoura, adotando-se o princípio do manejo por zonas que tenham mais a ver entre si, que são conhecidas como zona de manejo.

As zonas de manejo podem ser definidas por diversas formas, porém uma das maneiras mais assertivas para definição é através da análise de mapas de colheitas de diversas safras. Essa análise, conforme mostra figura 2, nos dá a estabilidade produtiva em cada pedaço do talhão permitindo que se faça as correções conforme necessidade de cada zona do talhão e não mais pela média.

Mapa mostrando estabilidade produtiva do talhão

Figura 3
Figura 3

Entendido quais zonas do talhão são homogêneas entre si, é possível, também via ferramentas digitais, determinar onde investigar com mais intensidade. Por exemplo na análise de solo em vez de se fazer pontos amostrais equidistantes dentro do talhão pode-se concentrar os pontos onde foi detectado problemas. O mapa abaixo (figura 3) mostra o mapa para aplicação de calcário. Certamente sem essas análises estaríamos aplicando uma dose fixa de calcário em toda a área, mas investigando com mais detalhes é possível verificar que a demanda desse insumo é diferente nos diversos pontos do talhão, levando à aplicações de diferentes taxas conforme as particularidades de cada zona de aplicação.

Mapa de aplicação de calcário por zonas homogêneas de manejo

Figura 4
Figura 4

Comparação de volumes aplicados de calcário em diferentes modos

Modo de aplicação

Taxa média (t)

área

Total aplicado (t)

Aplicação em taxa fixa

1,5

29,75

44,6

Aplicação em zonas

0,857

29,75

25,5

Comparando conforme tabela abaixo se fosse aplicado em taxa fixa aplicaríamos em torno de 1,5 toneladas de calcário dolomítico por hectare versus a média 0,857 toneladas em aplicações em zonas, evidenciando a real vantagem de tratar o talhão não mais pela média, levando à otimização dos insumos e consequente maximização dos resultados.



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